Evolução da “Festa do Pemento”

Já há algum tempo, no ano de 1980, no primeiro fim de semana do mês de agosto, o então presidente do Concello de Arnoia, Rogelio Martínez Gónzalez, teve a ideia de saber tirar o máximo partido do cultivo de pimentos na zona, criando a festa do pimento de Arnoia que atualmente está catalogada como Festa de Interesse Turístico Galego. Desta forma, integrou-se também outro setor de grande importância na zona, que é o setor vitivinícola, já que contamos com a Denominação de Origem Ribeiro.

Assim se criou um tipo de pimento que é típico da zona, com umas características espetaculares para o referido evento, um pimento que está classificado como Indicação Geográfica Protegida (IGP) e com um ecótipo da espécie CAPSICUM ANNUUM.L cultivado nas terras de A Arnoia.

Características

As suas características são excecionais graças à terra onde se cultivam e à água abundante que emana do rio Arnoia, com a qual se rega todo o Vale de San Salvador. Habitualmente são colhidos de manhã cedo, muito frescos, com duas tonalidades, verdes e vermelhos, que costumam ser utilizados para retirar a semente para o ano seguinte e para conservas, maioritariamente.

As características da planta são: herbácea e muito ramificada, com porte médio de entre 55 e 80 cm, de folhas pequenas e elevada floração.

As características do fruto são: 4 lóbulos de cor verde intensa, pele lisa e brilhante, um peso aproximado de entre 50 e 90 gramas e um comprimento de 7 a 11 cm, com cheiro intenso e sabor doce.

Tradição

A festa desenvolve-se na zona do Carvalhal de “A Queixeira”, na freguesia de San Salvador.

Nesta zona, com a ajuda de centenas de vizinhos voluntários da povoação, durante três dias o carvalhal de “A QUEIXEIRA” ruge as 24 horas do dia e transforma-se num ambiente culinário assombroso, onde podemos degustar as variadas maneiras de cozinhar o pimento de Arnoia, o típico polvo à galega e a carne ou caldeiro.

A festa gastronómica, no ano de 1995, deu uma reviravolta muito grande, ao passar-se dos típicos pimentos fritos e da omeleta de pimentos, aos pimentos recheados de corço, javali, atum, gambas, etc. E no ano de 1996 foram os pratos estrela da festa o pudim de pimentos e o gelado de pimentos de Arnoia; essa revolução deu-se graças à colaboração do chef de cozinha Domingo Gónzalez Lorenzo e às mulheres e homens, tanto do concello como de fora do concello, que com muito esforço conseguiram alcançar o objetivo que nos tinha confiado o já EX-Presidente.

Também se podem utilizar tipos diferentes de técnicas culinárias, como as esferificações de pimento de Arnoia, o esparguete líquido de pimento de Arnoia, ou a tarte red-velvet que apresentou no ano passado o atual chef de cozinha do balneário de Arnoia, José Luis López Taboada.

Atualmente, os dois chefes de cozinha, Domingo e Luis, estão na fase de fabrico da Bica de Pimento de Arnoia.

A festa do pimento de Arnoia está em processo de se reinventar, devido à atual situação sanitária, com um estudo de uma Universidade da Catalunha, um circuito de tapas com os estabelecimentos hoteleiros e de restauração da zona, que teve uma boa aceitação por parte das pessoas.

Em conclusão, estas são as festas gastronómicas reconhecidas em todo o mundo que fazem com que as povoações rurais estejam localizadas no mapa e fazem dinamizar economicamente as zonas rurais.

A seguir, a receita de Pimentos Recheados de Corço, um dos pratos estrela que fizeram parte da revolução desta festa.

 

Pimentos recheados de corço:

Ingredientes

3 KG DE CARNE DE CORÇO
100 UNIDADES DE PIMENTOS
2 CEBOLAS CORTADAS EM BRUNOISE
2 CENOURAS DESCASCADAS E CORTADAS EM BRUNOISE
2 DENTES DE ALHO PICADOS FINAMENTE
2 PIMENTOS VERMELHOS
1 COLHER DE ERVAS DE PROVENÇA
1 COLHER DE ALECRIM
1 COPO DE VINHO DO PORTO
1 GARRAFA DE VINHO TINTO
20 CL DE BRANDY
3 FOLHAS DE LOURO
3 COLHERES DE MOSTARDA INGLESA
1 L DE FUNDO DE CAÇA ESCURO
SAL
PIMENTA PRETA ACABADA DE MOER.
1 DL DE AZEITE
1/2 DL DE SANGUE DE CORÇO

Preparação:

  1. Limpamos bem o corço para que não tenha restos de sangue pisado, nem pelos.
  2. Cortamos o corço em cubos mais ou menos iguais e pomos a marinar com todos os ingredientes, exceto o feijão e o fundo escuro.
  3. Deixamos marinar pelo menos 24 horas. Quando se põe o corço a guisar, escorre-se o líquido e põe-se um pouco de azeite a aquecer e aloura-se o corço com os legumes e as ervas; quando estiver alourado, adiciona-se novamente outro tanto de vinho do Porto, de vinho tinto e de brandy, o fundo escuro, o sangue de corço e deixamos cozer em lume brando, sal e pimenta moída.

 

ASSINADO: Domingo Gónzalez Lorenzo, chef de Cozinha

José Luis López Taboada, chef de Cozinha